Livros sobre pandemias – ficcionais ou não

Estamos vivendo uma comoção mundial com a pandemia do novo Coronavírus (ou Covid-19 ou, ainda, SARS-Cov-2). Começou na China, no fim do ano passado (2019) e hoje já atinge a população de boa parte do globo, sem fazer distinção entre ricos e pobres, negros, brancos, índios ou orientais. A situação está tão caótica que as guerras deram uma pausa e fábricas que antes produziam armas, hoje voltam suas produções para equipamentos de proteção como máscaras, luvas.

Se não estivéssemos literalmente vivendo tudo isso na pele, esse texto poderia ser apenas um trecho de livro de ficção científica – ou de terror. Acontece que não é incomum que a ficção imite a realidade e vice-versa. Prova disso são as dezenas de livros já publicados sobre o assunto, em diferentes épocas, por autores de diferentes gêneros.

Separei seis destes para quem quiser saber mais sobre o assunto – afinal essa não é a primeira pandemia que assola o mundo, e muito provavelmente não será a última – ou para quem apenas tem curiosidade e curte ler ficção científica.

Pandemias – a Humanidade Em Risco
Stefan Cunha Ujvari

Publicado em 2011 pela editora Contexto, o livro mais parece uma premonição, mas é terrivelmente real. O autor é infectologista e teria “previsto” que mais cedo ou mais tarde uma pandemia iria acontecer.

Sinopse


Os cientistas temem que a humanidade seja vítima de uma pandemia capaz de matar dezenas e até centenas de milhões de pessoas no mundo todo. Para que isto aconteça basta que apareça uma doença que combine enorme capacidade de contaminação (de preferência antes de os sintomas aparecerem) com poder para matar grande número de pacientes infectados. A concentração urbana que caracteriza a humanidade em nossa época (ao contrário do que aconteceu quando das grandes febres do começo do século XX) facilita a propagação. As viagens aéreas ganharam enorme incremento, fazendo com que vírus e bactérias atravessem oceanos com rapidez. Além disso, nossas cidades propiciam grandes aglomerações como jogos e shows para dezenas de milhares; dispomos de sistemas coletivos de transporte, como metrô, trens urbanos e ônibus, onde milhões se acotovelam e respiram o mesmo ar; de resto, mesmo situações de trabalho em fábricas e escritórios, além de escolas, fazem com que o potencial de transmissão por vírus ou bactérias seja explosivo. Este livro de Stefan, homem de ciência reconhecido, médico infectologista e autor de A história da humanidade contada pelos vírus, até parece ficção científica, tão bem contado e assustador que é. Contudo, é terrivelmente real. Pandemia mostra o que pode acontecer conosco, num futuro muito próximo. A verdade é que não se discute mais se uma pandemia arrasadora vai aparecer, mas quando isto vai ocorrer.

Um diário do ano da peste
Daniel Defoe

Esse é bem mais antigo, do século 18, mas vale a pena só por ter sido escrito por um dos maiores romancistas ingleses de todos os tempos. O livro relata a epidemia de peste bubônica que dizimou 70 mil vidas em Londres, no ano de 1665.

Sinopse

Este livro trata de uma vívida, inquietante e informada reportagem acerca da epidemia de peste bubônica que dizimou grande parte da população londrina. Reportagem e ficção se mesclam, no esmero do registro, onde sempre há a técnica do escritor nos fatos , criando personagens, descrevendo cenas literariamente tratadas, cedendo ritmo indispensável de diálogos que recompõem um clima novelesco.

A peste
Albert Camus

No período pós-guerra, esse é um dos livros mais lidos, que também traz a epidemia como protagonista, pelo autor argelino, publicado em 1947.

Sinopse

Em certa manhã, na cidade de Orã, na Argélia, o doutor Bernard Rieux sai do seu consultório e tropeça em um rato morto. Esse é o primeiro sinal de uma terrível epidemia que assombra a população. Sujeita à quarentena, a cidade torna-se um ambiente inóspito e os moradores são levados à loucura por causa do sofrimento. Mas, no meio disso, eles também descobrem o valor da compaixão e da solidariedade em tempos sombrios. “A Peste” consagrou Albert Camus como um dos autores fundamentais do século 20. Ele, que recebeu o Prêmio Nobel de Literatura em 1957, morreu em 1960, em um acidente de carro.

A realidade de Madhu
Melissa Tobias

Pura ficção científica, o livro, publicado em 2014, traz ao longo da narrativa uma pandemia global que ocorreria em 2020. Coincidência? Premonição? Fato é que nem mesmo a autora, que é brasileira, se recordava de ter escrito esse trecho do livro. A procura pela obra foi tão grande que a editora Novo Século lançou uma segunda edição agora, em abril de 2020.

Sinopse

Neste romance de ficção científica, Madhu é abduzida por uma nave intergaláctica. A bordo da colossal nave alienígena, fará amizade com uma bizarra híbrida, conhecerá um androide que vai abalar seu coração e aprenderá lições que mudarão sua vida para sempre. Madhu é uma Semente Estelar e terá que semear a Terra para gerar uma Nova Realidade que substituirá a ilusória realidade criada por Lúcifer. Porém, a missão não será fácil, já que Marduk, personificação de Lúcifer na Via Láctea, com a ajuda de seus fiéis sentinelas reptilianos, fará de tudo para não deixar a Nova Realidade florescer. Madhu terá que tomar uma difícil decisão. E aprenderá a usar seu poder sombrio em benefício da Luz.

A dança da morte
Stephen King

Stephen King é um cânone da literatura contemporânea e dificilmente seu nome não consta nas principais listas de melhores, obras, especialmente aquelas de ficção científica ou terror. Em A Dança da Morte, publicado em 1978, o caos que se instala no planeta Terra é muito pior do que qualquer pandemia já vivida, já que apenas 1% da população sobrevive. Felizmente, né?

Sinopse

Uma história épica sobre o fim da civilização e a eterna batalha entre o bem e o mal. Após um erro de computação no Departamento de Defesa, um vírus é liberado, e um milhão de contatos casuais formam uma cadeia de morte: é assim que o mundo acaba. O que surge em seu lugar é um ambiente árido, sem instituições e esvaziado de 99% da população. É um lugar onde sobreviventes em pânico escolhem seus lados — ou são escolhidos. Os bons se apoiam nos ombros frágeis de Mãe Abigail, com seus 180 anos de idade, enquanto todo o mal é incorporado por um indivíduo de poderes indizíveis: Randall Flagg, o homem escuro.

Ensaio sobre a cegueira
José Saramago
Outro livro que virou best-seller durante a atual pandemia. Publicado em 1995 e transformado num filme de sucesso de 2008 dirigido por Fernando Meirelles, o livro é completamente atual, o que desperta curiosidade. Sem falar na narrativa irretocável de José Saramago.

Sinopse

Um motorista parado no sinal se descobre subitamente cego. É o primeiro caso de uma “treva branca” que logo se espalha incontrolavelmente. Resguardados em quarentena, os cegos se perceberão reduzidos à essência humana, numa verdadeira viagem às trevas. É instituída uma quarentena com poucos recursos governamentais para cuidar dos infectados, mas a força da epidemia implode as medidas de contenção. O mundo se torna cego, à exceção de uma mulher inominada que testemunha os horrores de uma humanidade posta à prova: egoísmo, ganância, autoritarismo e violência sexual campeiam em meio ao caos. O Ensaio sobre a cegueira é a fantasia de um autor que nos faz lembrar “a responsabilidade de ter olhos quando os outros os perderam”.

Que outros livros sobre pandemia você conhece? Siga este blog também no Instagram! @mapadasletras.

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