Otimismo x incertezas: o que podemos esperar do mercado editorial em 2021

Bienal 2019, numa era pré-caos pandêmico

A pandemia do coronavírus em 2020 trouxe um mar de incertezas para vários setores da economia, entre eles o mercado editorial. Agora, com a chegada da vacina, será possível pensar num cenário mais favorável para 2021?

Algumas tendências do mundo dos livros para esse ano já estão sendo projetadas. Algumas notícias são boas, outras nem tanto. Segundo Eduardo Villela e Bruno Zolotar, diretor de marketing e vendas da editora Rocco, o Brasil deve seguir a maré dos novos moldes de negócio que explodiram com a tecnologia, em especial durante a pandemia, com o isolamento social.

Um exemplo são as megastores de livros, grandes espaços em shoppings, com estoque enorme e muitos funcionários, que estão com os dias contados, segundo eles.

“Os consumidores tenderão aos negócios de bairro, as pequenas livrarias, que estarão mais perto de casa e receberão atendimento mais caloroso”, relatam, em entrevista ao site Consumidor Moderno.

Outra tendência que pode ser observada é o fato de livrarias e editoras independentes recorrerem ao sistema crowfunding (financiamento coletivo). É uma espécie de pré-venda, em que os autores mobilizam fãs e interessados em seus projetos e assim captam o dinheiro necessário para a publicação de seus livros. A plataforma Catarse é uma das mais conhecidas atualmente.

O crescimento da venda de e-books também é um ponto importante que vem mantendo o setor aquecido. Houve um crescimento médio de 12,4% no faturamento anual do mercado global em relação a 2019, para 16,6 bilhões de dólares, segundo a consultoria alemã Statista. Nos Estados Unidos, os audiolivros também se fortaleceram (são mais vendidos do que os e-books). No Brasil, com a chegada dos players de livros audíveis, como Audible, da Amazon, e Apple Store, os audiolivros devem decolar também em 2021.

A editora Serpentine é um exemplo “fora da curva”. A editora, do Rio de Janeiro, nasceu no meio da pandemia. “Por incrível que pareça e além das nossas expectativas, conseguimos um bom espaço no meio literário em 2020. Por isso temos muita fé que em 2021 não apenas nós, mas que o setor editorial volte a crescer. Principalmente com eventos já marcando datas. Nosso cronograma está fechado até agosto, mas também temos alguns títulos marcados para setembro, outubro e novembro. Fora as publicações em inglês que já começaram!”, conta a editora-chefe Clara Ártemis.

Momento de “pés no chão”

Mas, apesar dessas alternativas que têm dado um “respiro” nas vendas, muitos ainda não veem um cenário totalmente positivo para 2021 em se tratando dos encontros literários presenciais.

Partindo do macro para o micro, para as editoras da região metropolitana, mesmo com a vacina 2021 será um ano de muito “pé no chão”.

“Achamos que a recuperação do setor editorial será ainda tímida com relação às livrarias e pontos físicos de venda. E muito tímida, perto de zero, quanto a feiras literárias”, explica Celso Possas Junior, da Editora Itapuca, de Niterói.

Para Vilson Ferreira, da editora Proverbo, de Maricá, “há uma possibilidade de crescimento, mas talvez no segundo semestre, se houver eventos literários presenciais.

Um dos eventos mais esperados é a Bienal do Livro Rio, prevista para setembro. Ainda há muita dúvida se o megaevento irá mesmo acontecer.

“Tomara que a Bienal aconteça, mas nós acreditamos que não haverá a feira em setembro, acabará sendo adiada”, aposta Celso Possas Junior.

“Os organizadores terão que seguir protocolos e as pessoas que costumam ir a este tipo de evento são mais conscientes do que a maioria da população e não vão se expor, até porque, com o governo que temos, a vacina não chegará a toda população até lá”, explica Vilson Ferreira.

Já as responsáveis pela Editora Serpentine acreditam que o evento acontecerá, mas os eventos de menor porte serão as melhores opções para os autores este ano. “Acredito que será um bom evento mas sem o enorme número de atividades e autores dos outros anos. A pandemia afetou muito os ganhos de várias editoras e acredito que isso se reflita nas atividades do evento. Esse ano eu aposto que os eventos de menor porte e com entrada gratuita serão a melhor opção para todos”.

E o que as pessoas estão lendo?

É unânime que durante a pandemia, com mais tempo em casa, as pessoas têm lido mais, em especial os clássicos. “Definitivamente os clássicos. Os leitores estão aproveitando para conhecer as grandes obras”, afirma Possas Junior.

Outros nichos também vem sendo mais buscados, de acordo com Vilson Ferreira, da Proverbo. “No nosso caso, os mais vendidos são Infantis, Poesia e não-ficção”, contou.

Apesar da crise, a previsão é de aumento no número de lançamentos nas editoras da região. “Mesmo sem o contato presencial no momento, os autores estão muito disponíveis para conversas de vídeo através de WhatsApp e outras ferramentas. E permanecem autografando as obras, que são vendidas diretamente ou nas lojas virtuais da editora. É possível, mesmo com o isolamento social, que autores e seus leitores mantenham o contato e a troca de informações e feedback”, destaca o editor Celso Possas Junior.

Na editora Serpentine, a “vibe” também é de crescimento, com previsão de mais de 20 títulos a serem lançados. Os mais procurados até o momento são romance em geral, literatura LGBTQ e folclore.

*Este conteúdo foi originalmente publicado no portal O São Gonçalo: clique aqui para acessar.

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